DX, DXismo… o que é?
Para
muitos quantos sentem alguma inclinação para as “coisas da rádio”, o
termo simplista “DX” surge habitualmente conotado com a actividade dos
chamados radioamadores, tal como são etiquetados no meio, e oficialmente,
os amantes da rádio na vertente de emissão e, consequentemente, também a
recepção dos seus pares, sendo que estes amantes da rádio estão sujeitos
a controle oficial, carecem de licenças para operar e regem-se,
naturalmente, por regulamentos.
Foi
no seio do radioamadorismo que apareceu o termo “DX” para significar
emissão/recepção a longa distância, sendo que o “d” representa a
distância e “x”, a incógnita, representa a estação do colega; enfim,
mais uma abreviatura – como muitas outras – que surgiram da necessidade
de, em telegrafia, abreviar o texto, por razões óbvias.
Da telegrafia, o termo “saltou” para a fonia.
Assim, quando um radiomador diz que vai tentar “um DX”,
percebe-se que vai tentar comunicar-se com colegas a grande distância,
normalmente, em onda curta, mas não necessariamente.
Contudo, e porque isto é relativo, relativamente a determinadas
frequências (ou comprimentos de onda), as distâncias
que são pequenas para onda curta, já não o são para as primeiras. Como
exemplo, poderá utilizar-se até uma outra actividade, v.g. a que faz uso
dos chamados “PMR” (rádio móvel pessoal); um contacto conseguido a
dezenas de quilómetros, coisa rara, já se pode classificar de verdadeiro
DX em “PMR.”
Como
os amantes da rádio não se restringem aos chamados radioamadores tal como
descritos atrás, os escutas que perseguem as estações distantes passaram
a ser designados por “DXistas”, independentemente do tipo de estação
que lhes interesse: radioamadores, utilitárias, radiodifusoras…
Conclui-se
que há, de facto, uma diferença entre os rádio-escutas e os DXistas (dê-xistas):
enquanto os primeiros não são DXistas e se interessam primordialmente
pelos programas, os segundos – os DXistas -, ainda que possam reunir a
vertente de rádio-escuta, debruçam-se para a actividade de observar as
estações, de preferência, quanto mais distantes e fracas forem.
Para
tal, não é o que na gíria portuguesa no meio se apelida por “rádio
musiqueiro” que reúne as condições para uma estação (receptora) de
DXista, nem uma simples antena doméstica do tipo telescópico consegue
satisfazer as necessidades que tal actividade exige.
Não que o rádio-escuta não possa (e deva!) munir-se de equipamento
adequado, mas para o DXista, por ambicionar mais, logo, é-lhe imperativo
utilizar material que lhe permita captar “aquele sinal débil, longínquo.”
Há DXistas cujo equipamento de recepção é melhor e mais
sofisticado do que de muitos radioamadores, frequentemente limitados a espaço
físico para antenas que deverão cumprir uma função específica, a de
emitir nas faixas ou bandas que lhes estão reservadas, sacrificando de amiúde
a recepção adequada mediante outras antenas.
Infelizmente,
por razões diversas, o nosso país parece albergar reduzidíssimo número
de DXistas, tal como o atestam os vários boletins da especialidade onde se
regista troca de informação, muita dela valiosa para os que apenas abraçam
a rádio-escuta. Se
os há, e certamente existem, estão no anonimato. No estrangeiro, é comum
haver radioamadores que reúnem ambas as vertentes, a ponto de produzirem
interessante material de grande ajuda para o DXista em páginas Internet,
sejam elas próprias ou de clubs ou associações.
Já no caso do Brasil o panorama é outro, felizmente, chegando-se ao
ponto de haver programas de rádio específicos de radiodifusoras locais
feitas por e destinadas a DXistas.