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Oficialmente, a Emissora Nacional de Radiodifusão, de que a RDP é herdeira, nasceu no dia 4 de Agosto de 1935. Contudo, o primeiro passo para a sua constituição fora dado em 1930, com um decreto que criou, na dependência dos CTT, a Direcção dos Serviços Radioeléctricos, autorizando, simultaneamente, a aquisição dos primeiros emissores de Onda Média e Onda Curta. Em 1932, realizaram-se as primeiras emissões experimentais em Onda Média e em 1934 o mesmo aconteceu relativamente à Onda Curta, que desde logo se assumiu como uma das vocações naturais da jovem estação emissora. Três anos mais tarde, a sua capacidade de emissão era alargada para atingir a diáspora portuguesa. Data dessa altura o lançamento de um programa de referência: a "Hora da Saudade" destinado aos emigrantes no continente americano e aos pescadores da frota bacalhoeira. A realidade de hoje é outra, mas a vocação mantém-se e a RDP-Internacional continua a afirmar-se como elo essencial de ligação com as comunidades portuguesas no estrangeiro. Ainda em 1934, os estúdios eram transferidos de Barcarena para a Rua do Quelhas, onde se mantiveram até 1996. Em Portugal a actividade radiofónica já tinha conhecido experiências pioneiras, destacando-se, nomeadamente, o Rádio Clube Português. A Emissora Nacional foi essencialmente definida à imagem de congéneres estrangeiras. Concebida num quadro político interno e externo em que as rádios nacionais desempenhavam sobretudo um papel de veículo dos interesses do Estado, esta característica acentuou-se ainda mais no caso português em função do regime autocrático que vigorou até 1974. Em 1940, libertou-se da tutela dos CTT, iniciando-se, nessa altura, o modelo de implantação regional no continente e ilhas, o qual, não obstante a evolução ao longo dos tempos, de formatos e filosofias, corresponde, no essencial, ao sistema actualmente existente. Baseada num modelo sóbrio de apresentação e recorrendo a locutores de alta qualidade, a Emissora Nacional, embora assumindo sistematicamente o seu papel de órgão de propaganda do chamado Estado Novo, soube desenvolver uma cultura própria que influenciou fortemente a sociedade e marcou decisivamente a história da rádio portuguesa. Da dinâmica inicial, que se estendeu ao longo dos anos 50, surgiram as orquestras da Emissora Nacional - Sinfónica, Típica e Ligeira - o Centro de Formação de Artistas da Rádio, onde se revelaram alguns dos grandes nomes da nossa música, o teatro radiofónico, de que são paradigma os folhetins e programas, com destaque, nestes últimos, para o "Domingo Sonoro" e os "Diálogos da Lélé e do Zéquinha" que ficaram na memória colectiva. Este modelo pouco se altera até ao 25 de Abril de 1974. A revolução conduz à imediata ocupação da Emissora Nacional, com a nomeação de militares para todos os cargos relevantes. Passadas as maiores vicissitudes do período revolucionário, as estações de rádio são nacionalizadas e é criada a RDP - Empresa Pública de Radiodifusão, que concentra todas as estações, com excepção da Rádio Renascença e de dois outros postos de pequena expressão. Em 1976, a nova empresa adopta o nome de Radiodifusão Portuguesa EP, ficando depositária da obrigação de prestar um Serviço Público de rádio. Em termos de produção, a empresa organiza-se em 4 canais nacionais e 3 regionais para o Continente e 2 regionais para as Ilhas, mantendo as emissões internacionais em Onda Curta. Em 1979, procede-se a uma profunda reorganização interna resultando na criação da Rádio Comercial que, juntamente com os programas emitidos a partir dos centros regionais, entra em concorrência directa com os operadores privados no mercado publicitário. Entre 1992 e 1994 a RDP inicia uma transformação que conduzirá ao modelo actual. A Rádio Comercial é privatizada e retira-se a publicidade de todos os canais, deixando-se, assim, o mercado publicitário exclusivamente aos operadores privados. É elaborado um plano com o objectivo de concentrar serviços até então dispersos por vários edifícios da capital. Adquire-se a sede actual nas Amoreiras, em Lisboa, que passa a abrigar os sectores técnico e de produção, enquanto se alienam progressivamente outras instalações. Desenvolve-se ao mesmo tempo uma política de redimensionamento dos efectivos, de renovação do parque de emissores e de actualização em todos os domínios. Em 1994, cria-se a Antena 3. No mesmo ano, a RDP é transformada em sociedade anónima de capitais exclusivamente públicos. Em 1995, a RDP África surge como um novo canal vocacionado para os países africanos de língua portuguesa. O esforço de modernização prossegue e a empresa entra decisivamente na era da digitalização. Em 1998, Portugal passa a dispor do
sistema DAB - Digital Audio Broadcasting - projecto inteiramente
desenvolvido pela RDP.
Tudo começou em 1977, na zona de Odivelas com o aparecimento da Rádio Juventude, era uma emissora pirata que funcionava aos Sábados e Domingos em 100 MHz, com os seus estúdios escondidos num sótão de um prédio de habitação. Era constituída por uma equipa de radioamadores e radio-técnicos que encontraram assim uma boa forma de ocupar os seus tempos livres e entreter a população da área de Odivelas e terras mais próximas. Eram emissões interessantes. Com poucos recursos e com material muito simples, conseguiam bastante qualidade nos seus programas. Emitiam música ao gosto dos ouvintes e tinham noticiários com informação local, que era coisa que nunca ninguém tinha ouvido antes em Portugal. Muitas foram as vezes, que foram vítimas de perseguições por parte dos Serviços Radioeléctricos. Mas sempre conseguiam fugir com os equipamentos "às costas". Esta emissora deu lugar a partir de 1979 a uma nova estação que emitia na mesma frequência (100 MHz) e na mesma localidade, a Rádio Imprevisto. Se a primeira já tinha algum sucesso junto da população, esta teve muito mais ainda. Era muito mais forte em todos os aspectos, a programação era muito melhor e mais completa, as emissões passaram a ser diárias e a cobrir toda a área de Lisboa. Nesta época os custos começaram a ser suportados por publicidade a nível do comércio local. As perseguições mantinham-se, mas os "piratas" resistiam sempre. A Rádio Imprevisto, mais tarde mudou os seus estúdios para a vila da Pontinha e aí se manteve com programação 24 h no ar até 1988, data em que surgiu a nova lei da rádio e em concurso público foi reprovada. Falamo-vos da Rádio Imprevisto com todos os pormenores porque foi a primeira a emitir "a sério", no entanto a partir de 1979 começaram a surgir outras, como a Rádio Saturno de Odivelas em 101.6 e mais tarde em 102 MHz, era uma rádio também muito boa e veio a conquistar ainda mais ouvintes que a Imprevisto. A Rádio Saturno chegou a ser ainda mais ouvida que as rádios estatais na zona de Lisboa. Podemos concluir que foi em Odivelas que se deram os primeiros passos para a rádio local em Portugal. Em 1982 houve uma invasão de rádios novas em Odivelas e Amadora. Em 1986 essa invasão já se tinha espalhado a todo o país. Em 1988 existiam cerca de 350 rádios piratas em Portugal. Quando se realizou o concurso público, previsto pela nova lei da rádio em 1989, foram aprovadas cerca de 60% (aproximadamente) das que eram ilegais, as restantes emissoras aprovadas, foram criadas na altura do concurso, essas nunca emitiram clandestinamente.
Se
tem gravações de Jingles destas antigas rádios, por favor envie-nos
para que todos
Visite
também o site de Nuno Miguel, em memória à Rádio Onda Livre da Amadora
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